De noite, a cidade ao longe
Anoitecera e ao longe os caixotes eram agora muitos pontos de luz
O Kafunhonho e o Vandame estavam deitados em torno da pequena fogueira e o Paizinho nem tirara o seu fato de latas para se deitar, segurava apenas o monóculo na mão. Luzia perguntou-lhe: “Paizinho consegues mesmo ver tudo no seu verdadeiro tamanho assim mesmo de longe?”. O Paizinho respondeu-lhe “Este óculo vê tudo no seu verdadeiro tamanho sim: os problemas - pequenos do tamanho das formigas, as coisas importantes - do tamanho do elefante, é só isso”. O Kafunhonho disse-lhe a gozar: “O que eu gostava era de ver com esse óculo o Koi-ri, é a coisa mais bela mas na cidade não há e ao longe esse óculo não funciona”. O Vandame entrou na conversa: “Tu nunca viste o Koi-ri e estás sempre a falar do que não sabes” O Paizinho e o Vandame riram-se. O Kafunhonho acrescentou depois de algum tempo: “Mas está escrito”.
Luzia disse: “Então acho que não dá para ver as lâmpadas ainda.”
E todos adormeceram. Sonhar é, muitas vezes, ver estas coisas que não se conhecem mais de perto.
0 comentários:
Enviar um comentário